Botelha ao mar.(Novembro-2001)

UM ENREDA CON ESTAS COUSAS DA INTERNET E PARECE-LHE QUE E MODERNO, mas veu um problema tecnico e nom soubem arranjar cousa, nom puiden actualizar esta pagina. A fin seguimos a ser esa gente torpe e pouco tecnologica.

O ARTISTA PRECISA do pensamento do estoico, da sensualidade do libertino e do coraçom do salvagem.

“EU ESCULPIREI A MINHA PRÓPRIA ESCULTURA”, cousas do André Malraux. Essa é a tentaçom do escritor: dedicar as energias a transformar-se ele próprio em estátua em vez de alimentar a obra literária. O melhor modo de chegar a ser un monte de merda, umha estátua de merda.

NO SEXO nom gozamos nós. Som as fantasmas sexuais que nos possuem quem gozam. Nós somentes somos a cámara escura que os envolve, o lugar cálido e húmido onde ocorre todo.

LER É UM RITO PRIVADO. É um ritual em vários sensos. No senso habitual da palavra, um costume estabelecido, umha prática reiterada. Também no senso de ritual mágico. Existe um círculo mágico de transubstanciaçom: a vida alimenta primeiro ao autor e a palavra literária e logo os nossos olhos lem na palabra escrita e erguem perante nós um mundo espectral.
Também ler é um ritual no senso religioso, pois a literatura trata – mais ou menos vanamente- da existência, da vida e morte, do mundo. E ler literatura nom é outra cousa senom ler nos evangelhos da fé na vida.

UMHA MULHER NOVA queixa-se a umha amiga, “ai, chica, digo-che que estou hipermorta”. Nin a vida nin a morte tenhen hoje sustancia bastante, cómpre remarcar.

A MOCIDADE é a embriaguez de tempo, traga tempo como un Gargantúa con riles capaces a todo. Na mocidade somos gigantes. Mais tarde imos sendo mais e mais enanos. E avarentos.

COM A IDADE, a cada vez mais as cousas, os lugares, encolhem para um, a cámbio aumenta a memória que temos delas. Aumenta a sua sombra. Chegará um momento em que só vejamos as suas sombras.

ESTOU A MIJAR QUANDO SOA O TELEFONE MÓVEL (TELEMÓVEL?). Contesto a chamada e mantenho umha conversa com umha mulher de umha empresa que me pede umha factura para poder pagar-me um trabalho. Mentres acabo de mijar, guardo-a e cerro a cremalheira. Acabamos a conversa, despedímonos e lavo as maos.A tecnologia excusa-nos da cortesia.

SER GALEGO E BRASILEIRO. Intento transcrever no meu ordenador um texto galego medieval, a opçom de teclado que tenho seleccionada nom serve. Para poder escrevê-lo busco a opçom de teclado “brasileiro”, e esse sim serve.
O galego medieval, a nossa memória lingüística, nom pertence ao galego
castelhanizado instituído por esta autonomia nas maos do posfranquismo. Para esse galego serve a opçom de teclado “español”. A nosa literatura medieval, a memória historica, isso queda-lhes para os
portugueses, brasileiros.

[No mar outra vez dende o 09.11.2006]